Não há ninguém como eu
«Na Aldeia do Futuro(1)
não há homem como eu.
Pode ser que ainda apareça,
mas ainda n’ apareceu(2)!
Acredito e estou convencido
que isso vá acontecer.
Mas só quando morrer
é que me dou por vencido.
Tenho gozado e sofrido
mas ainda me encontro seguro.
Tenho a certeza e juro
porque sei bem por onde passo,
mas ninguém faz o que eu faço
na Aldeia de Futuro.
Perguntem a quem souber
se querem saber a verdade.
Se há lá alguém da minha idade
a fazer a vida que quer.
Estou prò(3) que der e vier.
Tudo o que aconteceu
e quem sempre me conheceu
sabe que tenho razão,
porque ali na região
não há homem como eu.
Sou amigo de toda a gente.
Não discrimino ninguém
E sou feliz por fazer bem.
É este o meu ambiente.
Gosto de estar presente
em tudo quanto aconteça.
E quem há muito me conheça
sabe o que eu tenho sido.
Mas lá por não ter aparecido
pode ser que ainda apareça!
Mas ainda vai demorar
É um nome q’ há-de pader
que leva tempo a esquecer
e que vale a pena recordar.
É um nome pra ficar
no sítio onde cresceu.
Mas lá aldeia eu
gozo dessa simpatia.
Há-de aparecer um dia,
mas ainda não apareceu.»
Eusébio Pereira, Grândola, Fevereiro de 2007
Glossário:
(1) Aldeia de Futuro: povoação do concelho e freguesia de Grândola situada num raio de 3 quilómetros desta vila.
(2) N’ apareceu: não apareceu.
(3) Prò: abreviatura oral de “para o”.