Entrudo
Belos tempos em que lá se fazia a matança do porco lá na minha casa. Juntava-se uma data de casais. Uma data de casais… Começava-se na Sexta-feira: matava-se o porco, Sábado já se começava, Domingo, Segunda e Terça. Depois Quarta-feira fazia-se o enterro do Entrudo. Enchia-se um boneco, fazia-se um boneco, pendurava-se, vá. E depois havia então um repertoriozinho para… Mas já não me lembra, que eu repertório… Já não me lembra.
Ia-se pelas ruas fora, chorava-se… E a gente mascarava-se, corríamos o lugar… Uns vestiam-se de reis, outros vestiam-se disto, outros vestiam-se daquilo… Havia as matrafonas, muito jeitosas! Mas toda a gente. E toda a gente estava à espera que o grupo saísse. E depois iam às casas das pessoas, às adegas: lá um copito. Depois: lá um copito. E as mulheres olhavam, não é? As mulheres não bebiam! Depois, quando chegavam à noite, já estavam mais para lá que para cá!
Mas eram anos grandes. Grandes anos, grandes anos… Grandes anos, sim.
Arminda Santos ,2010, Matacães,Torres Vedras