As correntes do sapo
A do sapo. Sói sei uma que é muito pequenina, que é: (…) andava uma mulher, andava a lavrar(1) e depois um sapo – saiu-le(2) o sapo lá de dentro da terra – ia passando e, ao passar, no sulco(3), uma vaca pôs-lhe um pé em cima e esmagou-o. Esmagou o sapo todo, botou as tripas fora e adepois(4) (mas o sapo não morreu, ficou foi com as tripas de fora) e outro sapo que estava ali perto disse:
- Ai! Então o que é que te passou?!
Disse: - Não! São as correntes que…Saíram! (…) São as correntes que saíram…
Não havia nada demais, não é? Para ele.
José António Esteves, Vimioso, Outubro de 2010
Glossário:
(1) Lavrar – remexer a terra com arado e charrua de modo a poder cultivá-la.
(2) Le – “lhe” (pronome, registo popular e modo informal).
(3) Sulco – rego aberto na terra pelo arado ou charrua.
(4) Adepois – “a seguir”,“depois” (uso popular e coloquial).
Referências bibliográficas e recursos online utilizados no glossário:
Barros, Vítor Fernandes, (2006). Dicionário do Falar de Trás-os-Montes e Alto Douro. Lisboa: Edição Âncora Editora e Edições Colibri, p.254; Barros, Vítor Fernandes, (2010). Dicionário de Falares das Beiras. 1ª. Edição. Lisboa: Âncora Editora e Edições Colibri, p.243 http://aulete.uol.com.br; http://michaelis.uol.com.br;http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2006/09/adepois.html; http://www.ciberduvidas.com/pergunta.php?id=25702; http://www.infopedia.pt;http://www.mirandadodouro.com/dicionario/traducao-mirandes-portugues/le/;http://www.priberam.pt