Um homem que não era mau
Um homem que não era mau
E que quis arrear o calhau
Foi para trás dum barracão
Uma abelha de fazer mel
Foi-lhe morder no pincel
E deixou lá o ferrão
Ele, muito atrapalhado
Só daí por um bocado
É que disse: “O que é que eu faço?
Isto não pára de me doer!
Vejo o pincel a crescer,
É já tão grande o inchaço!”
Correu, foi ao doutor
Para lhe tirar a dor
Que podia ser fatal
Ele deu-lhe uma injecção
Para evitar uma infecção
Disse-lhe que aquilo ia ao normal
Mas a mulher disse ao doutor:
“Desculpe-me, faz favor
Mas é um pedido que eu lhe faço!
Por favor, tire-lhe o ferrão
Tire-lhe também a infecção
Mas não lhe tire o inchaço!”
“Assim inchado é melhor
Até parece ser maior
Ela gosta é dele assim!”
Só que o pobre do marido
Anda muito aborrecido
Porque o inchaço está já no fim
Informante: António Relvas Inácio
2012/Montemor-o-Novo