Andar de burro
"A mãe do Jorge, não sei se conhece – o Jorge André. Eu fui a Alenquer mais ela. Ela ia a cavalo numa burra cá dos patrões e eu ia numa burrinha da minha mãe – eu estava ali na casa da patroa. Fui mais ela. Eu era danada para ir a cavalo da burra e bater-lhe com a verdasquinha na burra e ir a correr! Íamos a pé… Íamos a pé não, a cavalo da burra, direito à Pipa para ir para Alenquer. Quando vim para cá, vinha mais ela. E eu, quando foi ali ao Alto das Vigárias, há assim um alto e uma cova. Ela vinha muito devagarinho com a burra e eu… toca de bater na minha burrica! E a burra a correr, a correr, a correr… Quando deixei de a ver, que aquilo abre uma cova, eu fui, desci da burra abaixo, deitei-me no meio do chão e a burrinha… a burrinha ficou ali parada ao pé de mim. Ela, quando me viu:
- Ai, Jesus, aquela rapariga! Caiu da burra abaixo! Olha, caiu da burra abaixo!
E eu a rir, a rir… Diz ela assim:
- Ah, desenvergonhada… Tu meteste-me um susto! Eu a pensar que caísses da burra abaixo, e afinal…
Lá me levantei, lá me pus outra vez a cavalo na burra, lá viemos para o Pereiro.
Era a história; a gente entretinha-se só com estas coisitas assim."