A aprendizagem desta arte é marcada por um percurso informal, baseado na observação, na experiência prática e na convivência com os mestres. Muitos dos atuais pintores cresceram junto aos estaleiros e às praias fluviais, onde passavam os dias a ver trabalhar os carpinteiros navais e os pintores. A transmissão do saber dá-se “de olhos postos nas mãos dos outros”, como afirmam, e cada traço aprendido encerra uma ligação emocional ao território e às pessoas.
O curso promovido pela Câmara Municipal da Moita em 2011 foi um dos poucos momentos de formalização deste ensino, mas o conhecimento mais profundo — aquele que diferencia cada pintor — é adquirido ao longo de anos de prática, de troca de saberes e de entrega pessoal. Cada flor, cada letra, cada painel pintado contém a marca única de quem o executa. “Cada um de nós tem uma alma, e essa alma não se copia”, resume um dos pintores.
A adoção de novas técnicas ou materiais para pintar sublinha a vitalidade desta prática tradicional que continua em evolução. As novas tintas marítimas vieram facilitar a aplicação das pinturas decorativas tradicionais. Durante os vários séculos de existência destas embarcações no Tejo, os cascos adquiriam a cor negra através da aplicação de pez, alcatrão, que impermeabilizava os barcos. Hoje, os cascos são protegidos com tintas industriais marítimas, com uma paleta variada de cores, o que acrescentou diversidade visual a estas embarcações e permitiu estender a aplicação das pinturas decorativas a todo o barco, conforme a criatividade dos pintores.
Esta arte é praticada por um número reduzido de pintores ribeirinhos, com expressão significativa na Moita, mas cujas intervenções abrangem embarcações de toda a baía do Tejo, incluindo o Barreiro, Seixal, Alcochete e Lisboa. Estes artistas colaboram estreitamente com carpinteiros navais, arrais, proprietários de embarcações e associações náuticas.
Muitos pintores iniciaram-se no ofício através da convivência com mestres antigos, estaleiros familiares ou participação informal em atividades comunitárias. A transmissão dos saberes é essencialmente empírica e oral, por observação e prática.
Modo de Transmissão
A transmissão dos saberes é não formal, realizada no contexto do estaleiro, da comunidade ou da família. A observação direta, o acompanhamento de mestres e a prática constante são os principais modos de aprendizagem. Existem também registos pontuais de ações formativas promovidas por autarquias e associações, como o curso promovido pela Câmara Municipal da Moita em 2011, que contribuiu para renovar o interesse e atrair novos praticantes.