Memoria Imaterial CRL
Instituto de Estudos de Literatura e Tradição - patrimónios, artes e culturas

M E M O R I A M E D I A

e-Museu do Património Cultural Imaterial

O rico e o pobre

nome:

Paulatino Augusto

ano nascimento:

25/01/1929

freguesia: Grândola
concelho:
Grândola
distrito:
Setubal
data de recolha: Fevereiro 2007
 

Dados de inventário
  • O rico e o pobre
  • Poetas Populares de Grândola - Vídeo Poesia Popular.

    “O rico e o pobre”- Sobre as desigualdades e injustiças sociais.

    Paulatino Augusto; Ano de nascimento: 1929; Concelho de Grândola.

    Registo 2007.

Transcrição
  • O rico e o pobre

     

     

    «Para que no mundo haverá?

    Há tanta desigualdade

    o pobre de fome morrer

    e o rico sempre à vontade.

     

    No nascer somos iguais,

    no morrer tal e qual.

    ‘Tarem(1) tantos a viver mal,

    mas todos com os mesmos sinais.

     

    Digo a vocês e a outros que mais

    e até falo para mim, sei cá

    todos temos que ir pra lá

    para a nossa terra sagrada.

    Uns com tanto e outros sem nada,

    porque é que no mundo haverá?

     

    Feitos da mesma matéria

    somos todos com certeza.

    Uns com tanta riqueza

    e outros com tanta miséria.

     

    É a palavra mais séria

    é mais séria que a verdade.

    Andam tantos de má vontade

    pelo mundo a sofrer.

    Por isso não devia de haver

    tanta desigualdade.

     

    Se o rico pensasse bem

    Isso do ser bem, bem pensasse,

    porque se o pobre não trabalhasse

    o rico não era ninguém.

     

    O rico tem mais de cem.

    Riqueza a apodrecer.

    Mas do pobre não quer saber

    só o vai é espicaçando.

    O rico sempre gozando,

    o pobre de fome a morrer.

     

    Se eu mandasse no destino,

    no destino pudesse mandar,

    todo o rico tinha que trabalhar

    juntamente ao Paulatino(2).

     

    Talvez que houvesse mais dinheiro

    não havia tanta maldade

    e nem tanta falsidade

    se acabasse com essa baralha(3).

    Mas à custa de quem trabalha

    o rico ‘tá sempre à vontade.»

     

    Paulatino Augusto, Grândola, 2007

    Glossário:

    (1) ‘Tarem – abreviatura oral de “estarem”.

    (2) Paulatino – o autor.

    (3) Baralha – confusão.

     

     

     

     

     

     

     

Caracterização
  • Décimas.

    Quadra (mote) seguida de uma glosa em 4 décimas (em redondilha maior).

    Classificação: Proposta por Paulo Correia (CEAO/ Universidade do Algarve) em Julho de 2007.

Identificação
  • O rico e o pobre
  • Paulatino Augusto
  • 1929
Contexto de produção
  • Comunidade - Poetas Populares de Grândola
Contexto territorial
  • Biblioteca Municipal de Grândola (contacto Cristina Bizarro).
Contexto temporal
  • Actualmente sem periodicidade certa. Encontros informais e iniciativas do Município de Grândola.
Manifestações associadas
  • A poesia alentejana de Grândola era dita em festas, feiras, locais de entretenimento e principalmente em tabernas.
Contexto de transmissão
  • Estado de transmissão
    • activa
  • Poetas populares em iniciativas esporádicas do Município de Grândola. Em Grândola, vários poetas populares participam na iniciativa Rota das Tabernas (16ª edição em 2010) realizada em Junho.

    Existem vários Encontros de Poetas Populares, nomeadamente em concelhos do Alentejo e do Algarve.

Equipa responsável
  • José Barbieri
  • José Barbieri
  • Maria de Lurdes Sousa

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