Memoria Imaterial CRL
Instituto de Estudos de Literatura e Tradição - patrimónios, artes e culturas

M E M O R I A M E D I A

e-Museu do Património Cultural Imaterial

A taberna

nome:
Luísa de Jesus
ano nascimento:
1931
freguesia: Mora
concelho:
Mora                                        
distrito:
Évora
data de recolha: 2007
 
 

Dados de inventário
  • A taberna
  • Mora

    "A taberna" -  Uma história sobre como um rapaz encontra uma forma criativa de declarar o seu amor à filha de um taberneiro.

    Luísa de Jesus; Mora; Concelho de Mora, Évora

    Registo 2007.

Transcrição
  • A Taberna

     

    Olhe, era um senhor que tinha uma taberna e o senhor era já assim de uma idade muito avançada, coitadinho, e na' lhe aparecia, lá pela semana adiante, quase ninguém! Bebiam era vinho ao copo.

    E atão ele tinha uma bela filha, uma bela donzela! E o que é que acontece? Ela andava a estudar. E chegava ao sábado e ia logo lá à taberna ver o pai.

    Filha – Atão, pai?! Esta semana ganhou pò pãozinho?

    Taberneiro – Ora filha! Uma semana muita ruinzita! Uma semana muito gelada...Já sou velhote! Isto é preciso é a gente ter calão! Eu já sou velhote! Isto já ninguém faz caso de mim!

    Filha – Deixe que eu agora ao sábado e ao domingo... Vai ganhar pò pão e pà sopinha e pra tudo!

    Assim foi. A gaja era muito boa! E atão ia lá pò café.

    Andava um matulão a querê-la! Um gajo todo fadista(7)! Que ela também era fadista! E atão o gajo olhava sempre lá pà taberna a ver se ela lá estava. Andava a querê-la! E vai, viu-a lá ao sábado. Até se estremeceu!

    Disse pò colega:

    – Olha! O dono da taberna já tem ali a donzela! E ando a querê-la! Vamos lá! Vamos pra lá!

    Ora eles viram-nos lá, começaram a ir muitos!

    – Vá! – Vinha o copo.

    Ela vinha logo aviá-los! Vá de comer um tremocinho e vá daí a nada:

    – Outro copo!

    – Outro copo!

    Ora chegou às tantas, o gajo 'tava bêbado! 'Tava perdido de bêbado! O que é que ele faz? Já não podia beber mais, disse assim:

    'Tou cheio até aqui ao estreitinho! Já na' posso beber mais um copinho!

    Tenho caminho a direito pr'andar. Mas na perna levo o defeito, vou sempre a cambalear!

    Chego a casa, olho pra luz, fecho os olhos, catrapuz!

    E já na' posso mais olhar! Mas ainda na' perdi as esperanças

    de com a donzelazinha, lá da taberna, ir casar!

    E havemos de ter muitos filhinhos, pra vidinha boa, com ela passar!

    E bem dito louvado o meu continho 'tá acabado!

    E sempre casou com ela! Pelo jeito... Telefonaram-me a dizer que ele se casou depois!»

     

    Luísa de Jesus, 76 anos, Amieiras (conc. de Mora), Junho 2007

     

Caracterização
    • Caso.

     

    • Classificação: Paulo Correia (CEAO/ Universidade do Algarve) em Julho de 2007.
Identificação
  • A taberna
  • Luísa de Jesus
  • 1931
Contexto de produção
Contexto territorial
  • Mora, Casa da Cultura de Mora
Contexto temporal
  • Hoje sem periodicidade certa. Encontros informais e iniciativas do Município de Mora e escolas
Manifestações associadas
  • Transmitidas aos serões, em quotidianos de trabalho e lazer.
Contexto de transmissão
  • Estado de transmissão
    • activa
  • Contadores de histórias participam em iniciativas do Município de Mora. São convidados para participar na inicativa Palavras Andarilhas. Vão a escolas, lares e bibliotecas. Participam em iniciativas do Fluviário de Mora e da Casa da Cultura. Destacam-se as seguintes actividades desenvolvidas desde 1999:

     

    - Encontro de Contadores e Histórias - 1999 a 2005

    - Ti Tóda - Conta-me eum conto, estafeta de contos - 2001 a 2004

    - As lendas vão à escola - 2005

    - O Talego Culto - 2007

    - O Talego ambiental - 2007 a 2008

    - Comunidade do Canto do Lume

Equipa responsável
  • José Barbieri
  • José Barbieri
  • Maria de Lurdes Sousa

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