Memoria Imaterial CRL
Instituto de Estudos de Literatura e Tradição - patrimónios, artes e culturas

M E M O R I A M E D I A

e-Museu do Património Cultural Imaterial

Dar seguimento ao grupo

  • Álvaro Parreira

  • Nascimento: 1935

  • Residência: Residente na Freguesia da Sé. Portalegre

  • Actividade profissional: Reformado (Funcionário Público)

  • Função no GFCB: Fundador

  • Entrevista: 2010/2/8_ Portalegre_Sede do GFCB


"O Sr. Vidal foi quem deu início da dança, repare minha senhora, abandona! Treze meses depois, abandona! E agora? Que fazer, minha senhora? Nada! Temos que… Ou invento outro ou coisa que valha! Os meus colegas, o Sr. Lagarto Gonçalves e o Sr. Fabião, metem-se na Câmara com o seu Manuel Justo Silva Mendes e convencem-no a chegar-me particularmente, a dizer que eu sou o mais novo, que tenho alguma habilidade e que tenho… Porque eu experimentava… Tinha alguma habilidade e que eu é que tinha que dar seguimento ao Rancho da Boavista.

Treze meses depois, minha senhora! Eu disse-lhe: – estamos com… O Sr. Presidente está… Ah! Senhor Presidente desculpe, eu tenho três filhos – dois ou três, dois naquela altura e depois o terceiro. Além de alfaiate, eu estava na pecuária, eu era inseminador artificial e logo, portanto, quando vinha da inseminação artificial eu tinha a minha alfaiataria e tinha que desenvolver o dinheiro para criar os meus filhos! E a minha mulher dava-me ajuda nas calças e nos coletes e logo, portanto, ficava… Eu tinha com que… Disse ao Sr. Presidente que não podia ser. O Sr. Presidente, oito dias depois, manda-me chamar, outra vez, e disse que tinha – não me traiu! Não me traiu de maneira nenhuma, bem pelo contrário! Mandou-me chamar, outra vez, e disse-me que tinha conseguido (dos seus colegas e em reunião) uma verba que, de certo modo, me ajudasse a recuperar dos fatos e que deixasse a alfaiataria. Já, claro, falou-me ao coração e eu disse-lhe: – Sr. Presidente, guarde o seu dinheiro e a Câmara guarde também o seu dinheiro que eu vou tomar conta do Rancho da Boavista já a partir de hoje. – Sabe o que é que fiz? Fui a casa da… Eu nunca disse a ninguém, no Rancho da Boavista durante muitos anos, vinte e tal anos, quem era a melhor bailarina ou quem não era ou…. Ou quem eram ou melhores ou quem não era! Fui bater à porta da melhor bailarina do Rancho da Boavista. E que tinha paciência! Uma mocinha com dezasseis anos ou coisa que valha, na altura, ainda não tinha dezasseis anos. A Lena! Eu tinha aquilo gravado, tinhas as músicas todas gravadas e não sei quantos… E foi no quarto dela, com a mãe sentada na casa a ver, que eu marquei todas as danças do Rancho da Boavista para poder ensina-las sem ter problema.

Quando chamei outra vez o Rancho da Boavista eu já sabia dançar, já sabia executar tudo e eles, claro, renderam-se aos factos. E eu passei a tomar conta do Rancho da Boavista! Mesmo sem Presidentes, sem Tesoureiros, sem não sei quê… Durante o resto, até vinte e tal anos e pronto. E, daí, o chamarem-me “o mestre”."

 

 

 

 

 

 


 

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